Continuando minhas leituras sobre como públicar um artigo, achei um outro material muito bom publicado no site Pós Graduando.

Abaixo copio o artigo na integra, e este pode ter o original com os comentários referêntes no link: (http://posgraduando.com/como-escolher-o-periodico-certo-para-o-seu-artigo/).

Texto escrito por Gustavo Henrique Silva de Souza, mestrando em Psicologia (Comportamento Empreendedor) pela Universidade Federal de Alagoas e pesquisador do Laboratório de Avaliação e Medida Cognitiva-Emocional (LAMCE/CNPq).


Agora que terminei de escrever o artigo científico, como faço para escolher o periódico certo para publicá-lo?

Comumente, nós [pós-graduandos e pós-graduados] nos deparamos com a seguinte situação: finalizamos o nosso bendito artigo, entretanto, não sabemos qual o periódico certo enviá-lo.

Após meses (ou até anos) pesquisando, noites insones no Facebook escrevendo, e depois do manuscrito ir e vir na mão do orientador – que criticou e sugeriu drásticas alterações –, em geral, temos o que chamamos de “versão final” do artigo.

Geralmente, a “versão final” é aquela que aspiramos enviar para um bom periódico. Isso quando não somos aliciados convidados a submeter artigos só para atender a requisitos de conclusão de alguns programas de mestrado e doutorado.

Nessa etapa, que tanto desejamos ver o nosso trabalho publicado, nós nos deparamos justamente com a escolha do periódico. Alguns pesquisadores (já ouvi mais de um dizer isso) costumam afirmar o seguinte: “quando o artigo é bom, ele é aceito em qualquer lugar”. Porém, posso afirmar com propriedade que essa afirmação não é verdadeira, tampouco correta.

PROVA EMPÍRICA

Em dezembro do ano passado, tive um artigo publicado em um periódico internacional de alto impacto, classificado como A1 no Qualis Capes. Esse artigo havia sido enviado anteriormente, na versão em português, para um periódico nacional classificado como B2 no Qualis Capes, e foi recusado sob a alegação de que o artigo não se enquadrava no escopo do periódico [lembrando que a classificação do Qualis Capes é a seguinte: A1 (mais alto nível), A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C (mais baixo nível)].

A melhor conclusão que eu pude tirar diante disso, é a de que há uma grande necessidade de meditação, paciência e critérios na escolha do periódico certo.

Por isso, eu separei alguns critérios e dicas que podem ajudar nessa tão ferrenha escolha.

As primeiras dicas envolvem um momento muito anterior à finalização do artigo. Debruce-se sobre o seguinte critério:

##DESENVOLVER O ARTIGO PARA O PERIÓDICO CERTO Se for viável para você, sugiro seguir os seguintes passos:

  1. Escreva o artigo já tendo em mente o periódico certo para submetê-lo;
  2. Desenvolva-o dentro do escopo do periódico escolhido;
  3. Escreva-o minuciosamente adequado às normas do periódico;
  4. Cite artigos do periódico escolhido;
  5. Demonstre porque o seu trabalho é relevante para o periódico; e…
  6. Mostre como o seu trabalho se complementa as publicações anteriores do periódico.

Obs.: vale a pena pensar no critério anterior.

No entanto, raramente temos a condição de escrever um artigo especialmente para um periódico em particular. Logo, a escolha do periódico certo passa a se pautar intimamente em um autoconhecimento do próprio trabalho. Isto é, você não fez um artigo para um periódico predeterminado. Então, deve-se levar em consideração outros 3 critérios:

(1) Tema (2) Adequabilidade (3) Qualidade

No critério 1, analise se o seu artigo possui um tema específico ou amplo. Se o seu artigo possui um tema específico, por exemplo: estuda um elemento peculiar e restrito a algum tipo de especialidade singular, tipo só você e o seu orientador conhece sobre o tema no seu departamento, porque o tema não é interessante para mais ninguém. Desse modo, busque um periódico específico que só publica trabalhos pares aos seus.

Artigos com temática específica devem ser enviados para um periódico específico, pois: o periódico já possui editores e revisores com expertise na área do seu artigo; a avaliação, assim, tenderá a ser mais rápida; e, se aceito, o seu trabalho terá melhor visibilidade e mais citações.

Já, se o seu artigo possui um tema amplo, por exemplo: estuda elementos de interesse para a sociedade como um todo ou é de grande impacto para a área do conhecimento em que se enquadra o trabalho, tipo você e o seu orientador vão mudar o mundo. Desse modo, busque um periódico genérico, mais popular, também chamado de mainstream.

No critério 2, analise se o seu artigo é adequado ou não para o periódico. Às vezes um artigo de abordagem complexa (quando baseia-se em fórmulas, termos técnicos ou estatísticas hard), mesmo que possua um tema amplo e geral, pode ser de difícil compreensão para leigos e não-pesquisadores.

Comumente, os periódicos genéricos deixam explicitado o modo como querem os artigos submetidos. Vejamos, por exemplo, o que diz as normas de submissão do Journal of Marketing (principal periódico mainstream de marketing no mundo) sobre legibilidade:

“Os manuscritos são julgados não só pela profundidade e alcance das ideias apresentadas e suas contribuições para a área, mas também pela sua clareza e se eles podem ser lidos e compreendidos. Os leitores têm origens variadas. Assim, as seguintes diretrizes devem ser seguidas: escrever de uma forma interessante, de fácil leitura, com estrutura de sentença variada. Evitar o uso de termos técnicos que poucos leitores poderão entender. Lembre-se: a revista é projetada para ser lida, e não decifrada. Mantenha frases curtas para que o leitor não se perca antes do fim de uma frase.”

Além disso, cada periódico utiliza-se de suas próprias regras de submissão. Por exemplo, alguns estipulam o máximo de 7 mil palavras, outros 8 mil, outros chegam a estipular 5 mil palavras (é um artigo ou nota explicativa?).

Já ocorreu comigo: após 5 meses da submissão, o editor me mandou um e-mail dizendo que se eu não diminuísse o número de palavras de 8.500 para 7.000, meu artigo não seria mandado para avaliação (editor bonzinho esse, outros já recusariam logo).

Conclusão: se o seu artigo não segue o estilo do periódico, nem perca o seu tempo submetendo-o.

No critério 3, por sua vez, analise a qualidade do seu artigo para o periódico. A gente quando escreve um artigo, costuma insuflar a qualidade dele, de modo que nos iludimos ao ponto de achar que o artigo pode ser publicado no periódico mais foda TOP da nossa área.

Seja sincero com você mesmo e evite esperar meses e até anos para receber a recusa, inevitável, do seu artigo. No Brasil, alguns periódicos levam até 2 anos para avaliar um artigo, e mesmo depois de todo esse tempo, o artigo pode vir a ser recusado, comprometendo muitas vezes os dados levantados no artigo e acarretando prejuízos ao pesquisador.

Por isso, eu ressalto: evite enviar artigos mal escritos para avaliação, ou não totalmente estruturados às normas do periódico (por exemplo: fonte, espaçamento, número de palavras, citações, referências etc.). E mais, se quer uma resposta mais rápida de avaliação, procure periódicos trimestrais, bimestrais ou mensais.

Bom, levando em consideração os critérios levantados anteriormente sobre tema, adequabilidade e qualidade. Isto é, você agora conhece bem o seu artigo e sabe para que tipo de periódico submeter. Então, vamos nos debruçar sobre algumas outras questões que vão nortear a nossa escolha do periódico.

O QUALIS CAPES

No Brasil, utilizamos como base classificatória da qualidade de nossas publicações os periódicos listados no Qualis. Assim, basta abrir o Qualis para termos acesso a listagem da Capes.

Abrindo o Qualis, na Barra superior, no lado esquerdo, em Consultar-Classificação, selecione como quer fazer a consulta. Se você for por “área de avaliação”, é possível encontrar os periódicos da sua área nos estratos A1 (mais alto nível), A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C (mais baixo nível).

Encontre o periódico no estrato que você acha que seu artigo se enquadra, sempre levando em consideração os critérios já estabelecidos. Se você é um noviço, consulte a opinião de seu orientador.

Vale lembrar, que uma leitura prévia dos artigos recém-publicados pelo periódico escolhido, pode lhe ajudar muito a entender que tipo de artigo é aceito e criar um parâmetro em relação ao seu próprio trabalho.

Também, quando se trata de periódicos internacionais, cabe pontuar que o padrão de escrita e os modelos de pesquisa diferem um pouco do que é feito no Brasil. Então, lembre-se que para uma revista internacional, o seu artigo deve:

(1) mostrar relevância internacional; (2) contribuir para a área de modo expressivo; e, (3) ser escrito de modo universal.

##E SE O PERIÓDICO NÃO ESTÁ NO QUALIS CAPES? Em geral, isso ocorre com periódicos internacionais, simplesmente, porque o Qualis Capes é construído a partir das publicações realizadas por pesquisadores vinculados a alguma pós-graduação no país.

Todo ano a Capes faz uma coleta entre os programas de pós-graduação do país. Isto é, um controle das publicações realizadas nos programas de pós-graduação para as realizações de suas respectivas avaliações conceituais.

Assim, se o pesquisador é professor de um mestrado ou doutorado, e ele publica em um periódico que não está no Qualis, na próxima coleta da Capes, o periódico vai entrar na listagem do Qualis. É simples assim.

##COMO SABER SE O PERIÓDICO É BOM SE NÃO ESTÁ NO QUALIS? O melhor e mais profícuo modo de saber se um periódico é bom é partir para outra listagem: o Fator de Impacto (Jcr da Thomson Reuters). O Fator de Impacto, mais funcionalista que o Qualis, atribui um fator (Jcr) a um periódico de acordo com um número médio de citações em um biênio.

A classificação dos valores depende muito da área em que se atua. Por exemplo, para a área de Administração, um Jcr de 0,300 já é considerado o suficiente para que um periódico entre no Qualis Capes no Estrato A1.

Para a listagem (ano base: 2012) de periódicos com Fator de Impacto (Jcr. Thomson Reuters), tem-se, por exemplo, o documento disponibilizado pela Universidade de Córdoba.

E SE O PERIÓDICO NÃO ESTÁ NO QUALIS E NEM POSSUI FATOR DE IMPACTO? Se o periódico não está na listagem do Qualis e nem possui Fator de Impacto isso não quer dizer que ele é ruim. Na verdade, há critérios estabelecidos pelo Qualis Capes que norteiam uma avaliação simples para tais periódicos.

No WebQualis, na barra superior, no lado esquerdo, em Consultar-Critérios Qualis por Área, selecionando a área de avaliação e o período, podemos encontrar os critérios utilizados pela Capes para a avaliação dos periódicos.

De modo sumarizado, vale a pena analisar alguns elementos do periódico em vista:

  1. Tempo de publicação Algo que dá força a um periódico é a sua periodicidade. Então, se o periódico publica há mais de 5 anos, sempre com as edições em dia (sem atraso ou faltando), então significa que o periódico é sério.

  2. Número de edições Em geral, periódicos que publicam mais edições por ano tendem a ser melhor avaliados. Assim, prefira periódicos bimestrais ou mensais, aos anuais ou semestrais.

  3. Indexadores Analise os indexadores do periódico e veja se realmente o periódico está listado no indexador informado. Alguns indexadores só aceitam periódicos sérios, já outros indexadores exigem apenas o pagamento de taxas. De toda forma, ter indexadores é um bom indício.

  4. Clareza e transparência Bons periódicos informam claramente todos os seus dados, editores, revisores, telefones e endereços. Tente entrar em contato com o periódico.

  5. Qualidade Leia alguns artigos do periódico e constate você mesmo a qualidade dele. Bons periódicos não publicam artigos ruins, tenha certeza.

Por isso, eu pergunto:

O QUE É QUE TEM PUBLICAR EM PERIÓDICOS ALTERNATIVOS? Não tem nada de mais. Pelo contrário, é ótimo. Há muitas revistas boas pelo mundo afora. Eu já sofri muito com o Qualis. Hoje eu não sofro mais.

Só para garantir uma boa escolha do periódico, sugiro as seguintes plataformas editoriais (não tem erro):

  • Elsevier;
  • Emerald;
  • Sage;
  • Springer;
  • Wiley;
  • InderScience;

Texto escrito por Gustavo Henrique Silva de Souza, mestrando em Psicologia (Comportamento Empreendedor) pela Universidade Federal de Alagoas e pesquisador do Laboratório de Avaliação e Medida Cognitiva-Emocional (LAMCE/CNPq).


Carlos Delfino

Escrito por:

Analista de Redes Windows e Linux, Analista de Desenvolvimento em diversas linguagens, incluindo para Microcontroladores, Consultor, mais de 20 anos de experiência no mercado de TICs

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